Autoconhecimento e intuição no empreendedorismo.

Minha bagunça organizada, com vários projetos andando juntos.

Depois de um tempinho sem atualizar o blog, estou de volta! Não tenho bem certeza se já falei disso por aqui, mas sempre fui uma pessoa cheia de sonhos, projetos e objetivos, o complicado sempre foi e ainda é, organizar a execução de tantos planos e vontades. E por isso estou focada em dois novos lemas agora, o primeiro é o famoso “devagar e sempre” e o outro que tenho repetido para mim e para as pessoas a minha volta “a vida é mais sobre a caminhada do que a chegada”. Então aos poucos estou conseguindo encaixar na minha engrenagem, tudo que o que quero fazer, e assim estarei mais presente aqui também.

Dito isso, vamos ao assunto que me trouxe aqui hoje: autoconhecimento e intuição no empreendedorismo. Empreender para mim sempre foi uma certeza, lembra que falei que sempre fui cheia das ideias né? Pois é, ter meu próprio negócio, é algo que identifiquei queria, muito cedo na minha vida. E tenho visto que esse é um assunto crescente nos últimos anos. Não sei se é impressão a minha, mas acho que éramos criados para arranjar um bom emprego, talvez prestar um concurso e hoje já se fala um pouco mais em ser seu próprio chefe, fazer seus horários, enfim ser mais responsável pela sua carreira profissional talvez e não se acomodar. Muito provavelmente tenha alguma relação com a nova Era de Aquário, onde as pessoas estão buscando mais o que lhes dá prazer, além do retorno financeiro apenas. Acredito que essas mudanças também se relacionem com a crescente da presença da mulher no mercado de trabalho, sabemos que nossa sociedade ainda atribuí muito mais a mãe, do eu ao pai a responsabilidade pelos filhos e sendo assim, muitas mães empreendem por necessidade. E por fim, a pandemia que estamos vivendo, obrigou muitas pessoas a recomeçarem, a fazer novas escolhas. Alguns foram demitidos, muitos precisaram ficar em casa e assim, novos horizontes, necessidades ou até vontades começaram a surgir e o empreendedorismo foi solicitado. Resumindo, novas realidades trazem novos cenários, por ser a única opção ou por ser um sonho desengavetado, empreender se tornou cada vez mais recorrente.

Seja qual for o caminho que faz uma pessoa chegar até a escolha de empreender, existe uma palavra que nunca pode ser esquecida: persistência! As vezes as coisas fluem de forma mais natural, as vezes é uma árdua caminhada, mas persistir no que se acredita e quer, é essencial. A vida de empreendedor se relaciona muito bem com a vida como um todo, as coisas parecem que vão ser de um jeito e um dia do nada, você está em outro cenário. Portanto, saber o que se quer daquilo ali, mesmo que o objetivo seja simples, é fundamental. Saber para onde ir e persistir no que se acredita te dá uma certa sagacidade em ler as mudanças e se adaptar a elas.

Eu fiz alguns semestres de administração, e na faculdade de moda (na qual de fato me formei), fiz as cadeiras optativas que se relacionavam com meu objetivo inicial, que era ter meu próprio negócio. Em todos esses aprendizados e tudo que já li sobre esse universo, sempre vão falar da importância de conhecer mercado interno e externo, de estar atento aos acontecimentos, e isso inclui, tendências de comportamento, economia, política, tecnologia, seu cliente, seu concorrente e toda e qualquer coisa que possa influenciar em seus resultados. E eu concordo, tudo isso é indispensável. Porém existe uma coisa, que é a coisa mais importante de você conhecer, porque conhecendo isso, conseguimos lidar com qualquer coisa. O que você não pode deixar de conhecer é: você mesmo! Pode parecer meio bobo dizer isso, ou clichê para alguns, eu na verdade sempre pensei isso, mas só agora aos 31 anos de idade, entendi o que de fato isso significava.

Pois bem, todo mundo já ouviu falar em sexto sentido, intuição, premonição ou coisas afins, alguns acreditam, outros não. Mas a verdade é que não importa no que você acredita, mas tudo que você precisa está dentro de você, não tem como fugir. Tá parecendo meio papo de auto ajuda né? Mas que seja. E antes de pensar nossa que bobagem, ou sim eu já sei disso. Pare para pensar no seguinte, quantas vezes você fez algo simplesmente porque sentiu que era o que devia ser feito e deu certo? Ou quantas vezes você ignorou o que sentiu e quebrou a cara? A verdade é que sempre que a gente quebra a cara, é porque a gente ignorou algo que estava perfeitamente visível e isso vale para tudo, inclusive para os negócios. Talvez algumas pessoas pensem, “ai eu já passei por tal coisa, que eu não esperava”. Mas isso a gente se diz porque é mais confortável pensar que erramos por falta de informação, mas se a gente parar para pensar com bastante calma e relembrarmos cada passo que nos trouxe para aquela situação, vamos achar os momentos que o alerta nos foi dado e nós ignoramos.

Pois bem, venho contar agora uma experiência pessoal. Há cerca de 8 anos, como já mencionei em outros posts eu venho testando possibilidades do meu negócio que já foi reformulado muitas vezes até aqui. Sinto que agora estou com o projeto que eu precisava atingir e cada nova ideia só vou agregando. Mas o que queria contar é que, há mais ou menos 2 anos eu tive uma ideia que se relacionava com confecção, que é o que eu sempre quis fazer, e também com o universo infantil, que já era algo que eu nunca tinha pensado em trabalhar. Acho que foi porque nessa época comecei a cogitar desengavetar também o projeto da maternidade. Comecei a pensar como fazer um negócio infantil, que não fosse só mais uma marca de roupas infantis. Essa sempre foi uma coisa muito forte em mim, qualquer negócio que eu começasse, não queria que fosse só mais um. Claro que poderia ter outros iguais, mas sempre que pensava em oferecer algo, não queria que fosse comum. Enfim, formatei mais ou menos a ideia e perguntei para pessoas próximas o que achavam, como eu não tinha filhos, poderia estar pensando em coisas que não fossem funcionais e/ou interessantes. E o que aconteceu é que as várias respostas que tive, tinham algum ponto negativo para eu considerar e eu murchei. Aconteceram muitas coisas na minha vida naquele mesmo período, então talvez eu tivesse pausado o projeto de alguma forma, mas também ter seguido um sentimento meu poderia ter trazido algumas coisas legais para minha vida. Mas porque eu estou dizendo tudo isso? Porque essa semana eu descobri não uma, mas duas marcas com um negócio muito semelhante ao que eu tinha projetado, e as duas marcas iniciaram entre o ano passado e esse ano, ou seja, depois do que eu teria começado. E sabe qual foi a minha conclusão? Que é importante olharmos a volta sim, mas que o caminho tá sempre dentro da gente, eu poderia ter iniciado há 2 anos algo que poderia ter dado certo, mas eu travei pelos comentários de pessoas importantes pra mim. Essas pessoas fizeram por mal? Creio que não, era a opinião delas. Mas então o recado é esse, crie algum método de estar apenas consigo mesmo por alguns instantes todos os dias, se conheça um pouco mais a cada encontro e aprenda a se escutar, aprenda como encaixar cada pecinha do seu quebra cabeça. Porque quando nosso “eu interior” diz algo, o que os outros dizem, são só dos outros.

Por que eu escolhi trabalhar com moda? Qual meu propósito?

Imagem do desfile da minha coleção para o encerramento da faculdade em 2015.

Talvez eu já tenha pincelado esse assunto, na verdade é provável que alguns assuntos se repitam, não porque estou escrevendo sobre a mesma coisa. Mas porque quando falamos de moda, de mundo, de vida, uma coisa leva a outra, nada é isolado, tudo se conecta.

Bom, vamos lá… tudo começou por volta de 2000 ou 2001 eu acho, quando eu tinha entre 11 e 12 anos. Depois de ter pensado em diversas profissões, só porque achava legal, eu percebi que era apaixonada por costura então entendi que era isso que queria fazer quando crescesse, na verdade eu já queria fazer a partir dali mesmo. Não sei ao certo como aprendi a fazer meus primeiros pontos na mão, mas acho que foi um pouco em cada lugar, minha mãe, avó e uma professora no colégio certamente contribuíram. Logo comecei a customizar minhas calças jeans, pintava, cortava e com os retalhos tentava fazer novas peças para mim e para minhas Barbies, as minhas não davam para sair de casa, mas nas minhas brincadeiras eu aproveitava bem elas. Minha mãe ficava louca que eu não tinha mais calça longa pra usar quando o inverno chegasse. Era tipo aquela história de jogador de futebol, que quando pequeno, quebrava a casa jogando bola…

Enfim, me sinto abençoada por desde cedo saber o que queria fazer, quando pensei a primeira vez em faculdade, eu não tinha nenhuma dúvida, era a faculdade de moda, o fato de eu não ser muito boa nos desenhos me assombrava, mas eu ia dar um jeito, nem que precisasse abrir um negócio e fazer diferente do que todo mundo fazia. E bom, isso não mudou muito ainda. Não foram poucas as opiniões para eu ter uma profissão primeiro, e depois cursar o que eu amava. “Faz administração, ganha teu dinheiro primeiro”, me diziam. Sempre me incomodou muito essa visão das pessoas de que estudar moda era um hobby e não uma coisa séria. Interessante, visto que ninguém anda pelado por aí…

Mas, eu sou taurina, teimosa, decidida, uma pessoa que resolveu o que queria fazer aos 12 anos. Sabe qual era a chance de alguém me fazer mudar de ideia? Nula. Como diz uma amiga e meu marido, quando a Florence bota uma ideia na cabeça, ninguém tira. Os cursos de moda eram poucos naquela época (o jeito que eu falo parece 30/40 anos atrás, mas não faz nem 20, hahaha) a federal do meu estado (UFRGS), não tinha o curso, aliás ainda não tem, as opções de bolsa eram poucas, mas meu ia dar um jeito. Eu já trabalhava quando fiz vestibular, mas o que eu ganhava dava pra pagar apenas metade do valor do semestre, então tentei fazer o enem e pegar bolsa do governo, não deu. Sendo assim, eu pagava, um mês sim e o outro não. Depois pra pagar os atrasados eu trancava um semestre e fazia mais um pouco no outro. Isso durou quase dois anos e eu parei, tinha que reorganizar minha vida. Fiquei um ano sem estudar e tentei mais uma vez o enem, dessa vez consegui a bolsa, ainda teria que pagar transporte e materiais, mas já era uma grande ajuda e desistir da minha sonhada profissão não era opção. A faculdade não foi fácil, pelo menos pra mim não, e perto do final eu pensei em desistir, pelo menos do diploma, mas tentei tudo que eu pude e deu tudo certo, depois de 8 anos entre idas e vindas, passagem por duas universidades diferentes, eu me formei Bacharela em Moda.

Como todo mundo sabe, fazer uma faculdade não resolve nada e pra mim não foi diferente. Ainda antes de me formar, eu vinha testando o tal projeto de ter o meu negócio e fazer tudo diferente de todo mundo, não é que eu quisesse ser rebelde, mas eu sempre soube que eu não queria ser mais uma no mercado, não queria fazer o que todo mundo fazia, então comecei a pensar o que eu queria ser e fazer. Entendi que eu queria que meu produto fosse especial pras pessoas, que fizesse alguma diferença na vida de quem comprasse, minha primeira ideia foi fazer roupas exclusivas, nenhum modelo igual ao outro e assim eu comecei, fiz alguns eventos, divulguei na internet, vendia uma coisa aqui, outra ali, mas sentia que ainda não estava pronta. Não sabia se era eu que não estava pronta, se era a ideia, hoje vejo que era os dois. Comecei a ver que a exclusividade podia ser uma ideia frustrada, pelo menos pra mim e quem comprava de mim, muitas vezes a peça não era na cor ou tamanho desejado, então eu tinha que ir além. Foram muitos nomes e ideias, momentos de mão na massa e de me sentir sem vontade. Mas volta e meia eu estava tentando, estudando, pesquisando, testando, planejando, a inércia na verdade não combina muito comigo, já impulsividade é quase como uma parte do corpo. Fiz curso de costura e italiano além do que era obrigatório na faculdade e iniciei uma segunda graduação, fiz três semestres de administração, talvez um dia termine, mas não era o momento ainda.

São 13 anos desde que entrei na faculdade pela primeira vez, 8 anos desde que fiz minha primeira tentativa de negócio, 4 anos e meio desde formada. Quase terminando minha pós, voltada para o comportamento das pessoas, acho que agora sei que linha seguir. Não vou dizer que estou pronta ou que a ideia esteja, talvez nós e nossos projetos sejamos eternas construções, mas agora me sinto pronta para persistir, porque eu encontrei meus propósitos, tudo que testei e vivi se encaixou de alguma forma. Acho que é isso que define o sucesso de alguém, propósito, e isso vale para a vida profissional ou qualquer coisa. Porque sucesso, pra mim, é realização pessoal, é ser relevante na vida de quem se encontra, dinheiro é uma consequência.

Meu propósito é esse ser relevante, fazer a diferença, mesmo que mínima, mas que exista. Quero que meu trabalho respeite ao máximo o planeta onde vivemos e leve coisas boas para as pessoas, que se sintam acolhidas e não obrigadas a caber nos padrões de uma indústria e sociedade que nos enxerga como números. Quero que os tecidos, modelagens e propostas sejam pensados com essas considerações. Que a velocidade dos lançamentos, sejam naturais e não uma necessidade a cada estação, fazendo com que as pessoas comprem coisas que nem lhes fazem sentido.

Finalizando, deixo o convite para me acompanharem aqui no blog, e nas redes sociais, nos perfis que vocês acessar nos links bem acima dessa página. Assim estarão acompanhando todos os meus projetos, curso, marca e etc. Sugestões serão sempre bem vindas!

E faço aqui também um pedido, corram atrás dos seus propósitos, trabalhem para fazer a diferença, além de pagar os boletos, precisamos todos disso.

A importância de ser, o maior aprendizado da experiência chamada vida.

Sempre acreditei que tudo na vida tem um porque, uma lição, uma forma de nos levar adiante. Nem sempre é fácil, aceitar ou encarar, é verdade, mas de um jeito ou outro, tudo está sempre certo, é como sinto. E sentir isso, deixa um pouco mais palpável a solução, do que parece não solucionável.

Já faz algum tempo que temos conhecimento de um vírus que instala preocupação pelo mundo, eu pessoalmente, comecei a entender que era algo um pouco mais impactante do que qualquer coisa que eu já tivesse visto, nesses 30 anos de vida, tem cerca de duas semanas. Em nenhum momento fiquei apavorada, um pouco ansiosa, confusa também, não que me sinta livre de me apavorar em algum momento, talvez na pele de outras pessoas eu estivesse, pois cada um está inserido em tudo isso de uma forma diferente. Mas busco me prender nas coisas que acredito, compartilho aquilo que acho que agrega. Estar atento nesse momento e falando sobre o assunto as vezes cansa. Porém, há 11 dias atrás eu fiz um vídeo no meu instagram, de algo que eu achava importante as pessoas pensarem… o mundo não vai bem, pra mim se tornava claro que precisávamos de algo drástico para que as pessoas parassem e repensassem quem elas são, o que estão fazendo aqui. Eu estava falando de um todo, de pensarem na sua existência, do que fazem por si e pelos outros, de terem confiança no fluxo da vida, de usarem as dificuldades como oportunidade para ser melhor, e foquei principalmente no fato de que existem coisas além do seu próprio umbigo, que existem coisas além de bens materiais, status, que existem coisas além do que seus próprios interesses. Mas hoje eu trago as palavras de um amigo, que trazem outro viés. Que mostram que esse momento é sobre pensar em si, mas pensar naquilo que se foge, que se adia, que se finge que não existe, porque que é se reconhecendo e se acolhendo que a gente se transforma, pra assim poder transformar o mundo. Segue as palavras do amigo:

“Na verdade, nesses tempos, em que a Terra está passando, as pessoas estão falando que é pra aprender a praticar a caridade, aprender concórdia, aprender comunhão, na verdade não, já foi ensinado muito disso. Veja o desespero que as pessoas estão, elas estão mais egoístas ainda, sabe por que? Porque o medo cega. A angústia cega. O desespero cega. É uma lei de sobrevivência do animal… eu tenho que reservar as minhas coisas e que os outros morram…

Na verdade, esse momento é oportuno pra uma coisa só, lidar consigo mesmo, lidar com o silencio da alma, lidar com o silencio do coração. As pessoas não estão conseguindo ficar quietas dentro de casa, não é porque estão acostumadas a sair, é porque estão acostumadas a fazer uso de coisas externas, pra não lidar com a angústia interna. Se está incomodado de ficar dentro de casa, o incomodo não é a casa. Comece a se admirar, comece a se amar, comece a se gostar, comece a se cuidar, comece a se abraçar, já que não pode abraçar os outros, comece a se tocar, já que não pode tocar os outros, esse é o ensinamento verdadeiro. Porque se eu me enxergo, se eu me toco, se eu me abraço, se eu me amo, eu amo os outros, fora isto é mentira. Fora isso é fazer de atitudes externas, a justificativa pra não lidar com o interno. Por isso que as pessoas estão angustiadas dentro de vossas casas, as famílias já não se conhecem mais, porque já não se conversa mais, são estranhos com estranhos, aproveita esse momento pra conversar, esse é o aprendizado maior, se trancar pra se abrir, se trancar pra crescer, se trancar pra se descobrir. O silencio dói, a solidão é necessária, pra quando voltar a viver em sociedade, saiba o vosso papel, saiba o vosso lugar de responsabilidade de geração no mundo. É um momento de descanso e de descoberta, porque o ser humano estava tão na loucura e na correria e usando as coisas da ciência e da tecnologia pra se afastar mais. E hoje tudo isso é pra que se una mais consigo mesmo, pra quando precisar se reunir com os outros, saiba do papel, saiba da responsabilidade. A natureza é mãe, e como mãe está ensinando, já não respeitam mais o pai, o pai é essência e ninguém toca no pai, fizeram tanta bagunça com a imagem do pai, mataram em nome de um pai, que é Deus, fizeram e desfizeram e ainda fazem. Aí vem a mãe dizer: eu sou matéria, eu sou aquilo que vocês são, porque vieram do meu ventre, e então eu lhes educo e faço voltar também ao pai.

É o equilíbrio da criação, portanto, é a mãe tentando ensinar o filho. E a energia feminina ensina através do que? Dos sentimentos. É a mãe ensinando os filhos a lidar com os sentimentos. Lide você, consigo mesmo, não deixe o medo, o temor, a angústia tomar conta. Abrace a mãe, perceba a mãe, se necessário volte ao útero da mãe pra se refazer, a mãe é bondosa, não é castigo, é ensino. E tome muito cuidado porque vocês podem fazer o inverso, invés de se fortalecer, se compreender, lidar com a solidão, com o apego as pessoas, lidar com tudo isso e sair maior, vocês podem sair mais egoístas e aí vira presa fácil também. Imagine uma grande manada, os leões atacam os doentes, eles não atacam os fortes, então se fortaleça, pra que outros momentos piores que esse, quando vierem, você já tenha sido um bom soldado, fortalecido em si mesmo, calçado na fé, suportado por aquilo que é sagrado, valorizando aquilo que merece valor, não é isto que estão tendo que aprender? Que assim seja, que haja o aprendizado.”

Sou grata por essas palavras terem chegado até mim, e agora ofereço-as a vocês, pois entendo que quando estamos doentes da alma, quando estamos incompletos, quando estamos perdidos de nós mesmos, não somos capazes de oferecer o melhor aos outros, e acredite, sempre temos o que rever em nós. Se pegue pela mão, e trilhe seu caminho de verdade.

O CONTRADITÓRIO DA MODA.

Me interessei em fazer uma pós-graduação de moda, ligada a psicologia, justamente para entender como trabalhar da melhor forma essa questão contraditória da moda, que exerce um duplo papel, aproximando e afastando as pessoas, agrupando e separando, assemelhando e distinguindo.

Conscientemente ou não, relacionamos o vestuário com traços daquilo que somos. Ou seja, ao vestir determinada roupa, consideramos algumas coisas como: idade, orientação sexual, formas do corpo, religião, entre outras. Sendo assim, o vestuário nos une pelo estilo, profissão, ou classe social, por exemplo. E da mesma forma, esses aspectos são fatores de exclusão. Mas seja por um lado, ou outro, o que vestimos está sempre comunicando o que somos, de onde somos e ao que pertencemos.

Através da história da moda, podemos observar como iniciaram algumas dessas relações de agrupar e separar as pessoas, a nobreza utilizava de diversos artefatos para destacar sua indumentária, em relação as vestes do povo, porém com o surgimento da burguesia, mais pessoas começaram a ter posses para se vestir de determinada forma. Sendo assim, a nobreza buscava novos adornos, cores e atributos para se destacar novamente e então foi se dando a construção das classes poderosas lançarem a moda e as demais copiarem. Também assim percebemos a busca por se destacar de uma classe e por se inserir de outra.

Através do tempo também podemos destacar a separação das roupas por gêneros, determinando em cada época, o que serve para os homens e o que serve para as mulheres. Além disso, hoje podemos observar a padronização dos corpos pelas grandes marcas, idealizando um perfil específico para o uso dos lançamentos, em contrapartida, esses grupos se unem e surgem marcas e movimentos que buscam atender a nichos “esquecidos”, como o plus size.

É fundamental buscar na história, que momentos nos trazem para o que vivemos e fomentamos hoje, para assim se questionar e trazer uma moda mais completa, justa e que respeite o mundo e as pessoas dos dias de hoje. Dessa forma, de fato a moda poderá unir ou afastar, mais por uma própria escolha do consumidor, do que por imposição da indústria, que busca fascinar a cada estação, um seleto grupo de pessoas.

Feminista em construção.

De tantas que descubro em mim, tudo em construção, uma feminista aliás..

Não me lembro bem da primeira vez que ouvi falar em feminismo, mas acredito que tenha sido ainda na infância, eu sabia que era algo que lutava pela igualdade de direitos das mulheres, em relação aos direitos dos homens, o que naquela época, já me parecia uma coisa certa. Na adolescência permaneci com a mesma opinião, conhecendo dados da história, o porquê de existir um dia internacional da mulher, pra mim parecia impossível não entender que era uma luta importante, porém eu não me via como uma feminista, talvez por não me sentir ativa em nenhuma luta, talvez por não conhecer o movimento profundamente.

Hoje, é inegável o quanto esse movimento cresceu, com a internet nos trazendo a informação de forma cada vez mais rápida, somos bombardeados todo o tempo com notícias que trazem a palavra feminismo, defendendo ou não. E com a crescente da informação, veio a crescente das divergências de opiniões, vi amigas colocarem na sua discrição das redes sociais a palavra feminista, como parte de si, fazerem postagens mostrando a importância, fazendo parte da luta. E também vi outras dizendo que não precisam disso, que não gostam e etc. Senti que eu precisava saber quem eu era, não que eu precisasse dizer pra alguém, embora esteja fazendo isso agora, mas queria saber, por mim, pra mim, quem eu era no meio da “discussão”. Como profissional da área de moda principalmente, entendi que não era um assunto para deixar passar batido, o corpo é a razão da minha profissão e o feminino principalmente.

Então fui procurar saber, timidamente na verdade, não aprofundei a pesquisa, mas sempre que via algo a respeito eu parava pra ler, “dei um google” básico também, achei que era o mínimo a ser feito, como ter uma opinião sem conhecer? Eu precisava saber o que era o feminismo em origem, o que de fato condizia ou não, com o que eu ouvia falar.

O que eu achei então? A primeira coisa que descobri é que feminismo não é o contrário de machismo, como muitas pessoas pensam, o nome disso é femismo. Por isso, o feminismo não prega a superioridade das mulheres sobre os homens, ele busca que as mulheres tenham os mesmos diretos dos homens. Mas então porque a palavra tem a mesma origem etimológica, de feminino “fem”, justamente porque é um movimento que busca que as mulheres tenham os mesmos direitos que os homens já tem, é uma luta das mulheres. E inclusive, quem inventou o termo foi um homem, por entender isso.

É verdade, que no Brasil, as mulheres já conquistaram muitas coisas com o passar do tempo, mas ainda há muito pelo que lutar, sabemos que as mulheres são muito mais julgadas do que os homens pela formam que se comportam por exemplo, tem média salarial mais baixa, dentre tantas outras que se eu fosse citar, faria um texto sem fim.

Mas em resumo, conhecendo um pouco mais do que de fato é o feminismo, conclui que eu não poderia deixar de ser feminista, porque sim, eu concordo que as mulheres ainda são mais penalizadas em diversas situações. Porém, seria hipocrisia a minha não perceber que ainda tenho atitudes machistas, como uma julgar uma mulher pela roupa ou por determinado comportamento, até porque, como todo mundo, sou um ser em evolução e evoluir é se vigiar e melhorar todos os dias, cair em alguns erros é normal, mas sempre busco me questionar e respeitar meu próprio tempo de assimilar as coisas. E foi assim que percebi que sou uma feminista em construção, concordo com o que o feminismo é, mas não sou ainda, 100% atitude.

Algo que eu queria salientar é, muitas pessoas me dizem que não são feministas, pois não odeiam os homens ou porque não concordam com fulana de tal que se diz feminista, mas isso não faz sentido. Eu também não odeio os homens, tenho um pai, dois irmãos, um marido, vários amigos e jamais os odiaria, mas isso não quer dizer que não queira os mesmos direitos enquanto ser humano pra mim e para outras mulheres. E quanto a um determinado discurso que não te representa, de quem se diz feminista (já ouvi vários), não deixe que manche todo um movimento justo, as pessoas erram lembra? Se você ouviu algo que não te serve, não leve adiante, mas pesquise antes de formar uma opinião ou entrar em uma discussão, há sempre o que se compreender.

Mais amor por favor?!

Já que é pra falar de amor, aquela selfie no timer que a gente se ama! hahahahah

Hoje não vamos falar de moda, pelo menos não sobre roupas. Mas já que moda é comportamento, vamos lá…

Em tempos onde os noticiários são invadidos por notícias cruéis, a frase “mais amor, por favor,” ficou conhecida como um apelo, daqueles que esperam por dias melhores. Mas talvez o erro seja esse, esperar, esperar pelos outros.

Vivemos em um mundo onde a vaidade é cobrança diária e uma cobrança que não vem só de fora, vem de nós. Estamos acostumados a olhar no espelho e ver o que melhorar. O cabelo não é bom o suficiente, a cor dos olhos, o tamanho do peito, da bunda, estamos acima do peso, ou falta massa muscular, a pele não tá boa, o nariz é grande, a orelha também. Realmente falta amor, amor próprio, falta amor nos detalhes. É claro que devemos cuidar da gente, nosso corpo nos é emprestado para viver essa experiência que é a vida, portanto cuidar dele é nosso dever. Para isso cuidamos da saúde e claro, temos que fazer o que nos faz feliz, mas existe uma linha tênue entre esse autocuidado e uma vaidade que nunca tem fim, que nunca vai achar que está bom.

Alguns dizem que vivemos um tempo de “amores líquidos”, é verdade, os relacionamentos estão descartáveis, talvez por um reflexo dessa importância que damos para a vaidade, pois cuidar excessivamente do exterior deixa tudo muito volátil e o que é verdadeiro fica esquecido, o sentimento, a parceria, a troca, a mão estendida, o caráter.

Paralelo a tudo isso, vivemos um momento de liberdade, ou pelo menos de luta por ela, o divórcio já é aceito, sexo antes do casamento também (não vamos entrar no mérito religioso), a repressão é menor do que na época dos nossos avós ou pais, mas então parece que fomos para o lado aposto, já que está tudo bem, então tanto faz com quem. O problema não é ter tido tantos parceiros(as), ou transar num primeiro encontro, se for bom pra você, que assim seja. Mas quantas vezes já escutei comentários sobre se ter alguém pra quem ligar, tipo uma amizade colorida, quando não se tem alguém em vista, alguém pra beijar pelo menos, afinal, melhor que nada. Como assim, melhor que nada? Pra onde foi o “antes só do que mal acompanhado”? Longe de mim fazer a puritana, seus corpos suas regras e cada um sabe o que é melhor pra si. Uma amiga já me disse, que não tenho como falar, afinal estou num mesmo relacionamento há muito tempo.

Mas me reservo o direito de pensar, se qualquer um serve, o que exatamente sinto por mim? A questão é que se eu me amo, a outra pessoa vai ter que ser muito especial pra me merecer, sendo por uma noite ou pro resto da vida.

Fica difícil cobrar amor do mundo, quando não sabemos bem o que sentimos por nós mesmos. Podem achar que tudo que estou falando não tem nada a ver com as barbáries que escutamos por aí, mas a verdade é que quando ficamos superficiais, é que ficamos cruéis, o amor está nos detalhes e estamos deixando passar. Que a gente ame mais o brilho no olhar, do que a pele sem ruga, que a gente ame mais as ações, do que o corpo sarado, que a gente ame mais a nossa própria cia, do que um like no tinder, que a gente se ame cada vez mais, pra poder amar o próximo e receber o amor do mundo também.

Moda: futilidade x responsabilidade.

Foto de 2018, um dia de criação em casa.

Me lembro que quando comecei a falar que faria faculdade de moda, por volta de 2005 e 2006, muitas pessoas me diziam para fazer outro curso antes, algo que me desse dinheiro, para depois cursar o que eu queria. Alguns me olhavam com um olhar de certa surpresa, esses olhares permaneceram quando entrei no curso, outros me diziam que devia ser legal passar as aulas desenhando e folhando revista ou me perguntavam se era faculdade mesmo ou só um curso. Em resumo, poucos levavam a sério, tratavam como se fosse um hobby e até uma futilidade. E eu sempre rebatia revoltada: acham que a moda não é importante? Por que não andam pelados?

Bom, atualmente eu posso argumentar ainda melhor, moda não é futilidade. Se existe gente fútil dentro dela, ou consumindo ela? Claro que sim, mas a futilidade está nas pessoas, não na moda. O vestuário é algo que está inserido no nosso cotidiano o tempo todo, nos protege do frio, dá conforto e claro serve também como forma de adorno. Podemos falar através do que vestimos, nos diferenciar, nos aproximarmos, tratar de autoestima, são infinitos os pontos a se tratar quando falamos da importância das roupas. Estudamos e trabalhamos muito para entregar o melhor, tem desenho de criação, tem desenho técnico, tem pesquisa em revista, em livros, na internet, nas ruas, tem modelagem, costura, produção, tem escrita e muita leitura, tem conhecimento das cores, da história, dos tecidos, dos tingimentos e muito mais, seria um texto longo detalhar um curso de 4 anos, sendo que a faculdade, é só a ponta do iceberg.

Quando eu penso em moda, muito longe da futilidade, eu penso na responsabilidade, que é de todos nós, quando se trata desse assunto. Os profissionais da moda precisam se preocupar em que mensagem estão passando com suas criações, em que impacto a produção em massa traz para o nosso planeta, quem fabrica essas roupas e em que condições e também, para quem estamos ofertando. Existem problemas como a exclusão de pessoas por conta do corpo, poluição do meio ambiente e trabalho escravo nas fábricas, e estes são só alguns pontos negativos, que infelizmente a indústria têxtil tem carregado nos últimos anos, portanto que tremenda responsabilidade tem esses profissionais que escolheram estudar e trabalhar com moda.

Mas como falei anteriormente, a responsabilidade de fato, é de todos nós. Enquanto consumidores, o quanto nos preocupamos de fato em que condições são feitas nossas roupas? Quantos de nós param para pensar o que há por trás de roupas baratas e/ou lançamentos sazonais cada vez mais acelerados?

Portanto, se a moda muitas vezes é colocada na prateleira da futilidade e não tem sua devida importância reconhecida, é porque falta muitas vezes a consciência de fabricantes e consumidores que não vale tudo por uma roupa nova e que há mais para pensar entre criação e consumo, do que tendência, é preciso pensar sobre impacto, no planeta e nas pessoas.

Ainda pretendo falar aqui, sobre cada ponto a ser repensado no mundo da moda. Mas ficam já algumas ideias sobre o que refletir: impacto ao meio ambiente, respeito por quem trabalha, respeito por quem consome. Para quem quer assumir suas responsabilidades, há muito trabalho pela frente!

Eu, a moda e o mundo.

Uma fotinho no espelho, pra iniciar minha vida de blogueira, hahahahha.

Oi gente, nesse primeiro post vou falar sobre como pretendo fazer esse blog acontecer, eu já havia pensado em fazer algo assim, muitas vezes nos últimos anos, mas agora resolvi finalmente testar. Pra quem não me conhece, sou a Florence, tenho 30 anos, formada em Moda desde 2015, sigo estudando na área, me voltando agora para o sentimento e comportamento das pessoas. Desde os 12 anos sabia que trabalharia com moda e tinha vontade de ter a minha marca, projeto esse que ainda não está concretizado, mas venho amadurecendo e experimentando há algum tempo. 

Me sinto muito bem escrevendo, as pessoas há minha volta costumam gostar das coisas que coloco, da forma que organizo e exponho as ideias e pessoalmente gosto bastante disso, conversar, ouvir, pensar em todos os pontos, me colocar no lugar das pessoas que pensam diferente e deixar as coisas mais fáceis de lidar. Mês passado fiz uma enquete no Instagram, perguntando se eu já havia ajudado alguém alguma vez com algo que eu falei, e me surpreendi com o numero de pessoas que disse que sim e de que forma ajudei. Mas o que me impulsionou a finalmente tirar esse projeto do papel foi uma foi uma vontade de mudar o mundo, hahahahahaha. 

Calma, eu sei que não vou mudar o mundo, pelo menos não todo ele, mas a verdade é que todos nós podemos fazer algo para um mundo melhor. Eu sempre quis trabalhar com moda, mas não queria ser apenas mais uma pessoa no mercado, queria que meu trabalho fosse importante pra alguém, que fizesse alguma diferença pras pessoas que tivessem acesso a ele. E a verdade é que a moda muitas vezes é tratada como futilidade, mas é uma ferramenta importante, pois está na vida das pessoas o tempo todo, mexe com a autoestima, com as relações, entre outras coisas. Meu objetivo não é entrar para a história, nem ser a blogueira do momento, mas trazer assuntos, trocar experiências, falar de moda, mas também falar das coisas do mundo, até porque não tem como falar de moda, sem pensar no mundo, na vida, em tudo que acontece. Quero estar buscando entender mais sobre as pessoas, sobre as possibilidades da moda, sobre o planeta onde vivemos, como o mercado da moda impacta em muita coisa e qual o papel de cada um de nós em tudo isso, e além disso, qual nosso papel enquanto seres humanos em aprendizado.

E claro, estarei aberta a sugestões, sempre!