O CONTRADITÓRIO DA MODA.

Me interessei em fazer uma pós-graduação de moda, ligada a psicologia, justamente para entender como trabalhar da melhor forma essa questão contraditória da moda, que exerce um duplo papel, aproximando e afastando as pessoas, agrupando e separando, assemelhando e distinguindo.

Conscientemente ou não, relacionamos o vestuário com traços daquilo que somos. Ou seja, ao vestir determinada roupa, consideramos algumas coisas como: idade, orientação sexual, formas do corpo, religião, entre outras. Sendo assim, o vestuário nos une pelo estilo, profissão, ou classe social, por exemplo. E da mesma forma, esses aspectos são fatores de exclusão. Mas seja por um lado, ou outro, o que vestimos está sempre comunicando o que somos, de onde somos e ao que pertencemos.

Através da história da moda, podemos observar como iniciaram algumas dessas relações de agrupar e separar as pessoas, a nobreza utilizava de diversos artefatos para destacar sua indumentária, em relação as vestes do povo, porém com o surgimento da burguesia, mais pessoas começaram a ter posses para se vestir de determinada forma. Sendo assim, a nobreza buscava novos adornos, cores e atributos para se destacar novamente e então foi se dando a construção das classes poderosas lançarem a moda e as demais copiarem. Também assim percebemos a busca por se destacar de uma classe e por se inserir de outra.

Através do tempo também podemos destacar a separação das roupas por gêneros, determinando em cada época, o que serve para os homens e o que serve para as mulheres. Além disso, hoje podemos observar a padronização dos corpos pelas grandes marcas, idealizando um perfil específico para o uso dos lançamentos, em contrapartida, esses grupos se unem e surgem marcas e movimentos que buscam atender a nichos “esquecidos”, como o plus size.

É fundamental buscar na história, que momentos nos trazem para o que vivemos e fomentamos hoje, para assim se questionar e trazer uma moda mais completa, justa e que respeite o mundo e as pessoas dos dias de hoje. Dessa forma, de fato a moda poderá unir ou afastar, mais por uma própria escolha do consumidor, do que por imposição da indústria, que busca fascinar a cada estação, um seleto grupo de pessoas.

Publicado por florencerocha

Sou formada em Moda, pela Universidade Feevale, de Novo Hamburgo - RS e pós graduanda em Psicologia, Moda e Comportamento do Consumidor pela Uniara - Universidade de Araraquara - SP . Sou apaixonada por escrever e questionar as coisas!

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