Por que eu escolhi trabalhar com moda? Qual meu propósito?

Imagem do desfile da minha coleção para o encerramento da faculdade em 2015.

Talvez eu já tenha pincelado esse assunto, na verdade é provável que alguns assuntos se repitam, não porque estou escrevendo sobre a mesma coisa. Mas porque quando falamos de moda, de mundo, de vida, uma coisa leva a outra, nada é isolado, tudo se conecta.

Bom, vamos lá… tudo começou por volta de 2000 ou 2001 eu acho, quando eu tinha entre 11 e 12 anos. Depois de ter pensado em diversas profissões, só porque achava legal, eu percebi que era apaixonada por costura então entendi que era isso que queria fazer quando crescesse, na verdade eu já queria fazer a partir dali mesmo. Não sei ao certo como aprendi a fazer meus primeiros pontos na mão, mas acho que foi um pouco em cada lugar, minha mãe, avó e uma professora no colégio certamente contribuíram. Logo comecei a customizar minhas calças jeans, pintava, cortava e com os retalhos tentava fazer novas peças para mim e para minhas Barbies, as minhas não davam para sair de casa, mas nas minhas brincadeiras eu aproveitava bem elas. Minha mãe ficava louca que eu não tinha mais calça longa pra usar quando o inverno chegasse. Era tipo aquela história de jogador de futebol, que quando pequeno, quebrava a casa jogando bola…

Enfim, me sinto abençoada por desde cedo saber o que queria fazer, quando pensei a primeira vez em faculdade, eu não tinha nenhuma dúvida, era a faculdade de moda, o fato de eu não ser muito boa nos desenhos me assombrava, mas eu ia dar um jeito, nem que precisasse abrir um negócio e fazer diferente do que todo mundo fazia. E bom, isso não mudou muito ainda. Não foram poucas as opiniões para eu ter uma profissão primeiro, e depois cursar o que eu amava. “Faz administração, ganha teu dinheiro primeiro”, me diziam. Sempre me incomodou muito essa visão das pessoas de que estudar moda era um hobby e não uma coisa séria. Interessante, visto que ninguém anda pelado por aí…

Mas, eu sou taurina, teimosa, decidida, uma pessoa que resolveu o que queria fazer aos 12 anos. Sabe qual era a chance de alguém me fazer mudar de ideia? Nula. Como diz uma amiga e meu marido, quando a Florence bota uma ideia na cabeça, ninguém tira. Os cursos de moda eram poucos naquela época (o jeito que eu falo parece 30/40 anos atrás, mas não faz nem 20, hahaha) a federal do meu estado (UFRGS), não tinha o curso, aliás ainda não tem, as opções de bolsa eram poucas, mas meu ia dar um jeito. Eu já trabalhava quando fiz vestibular, mas o que eu ganhava dava pra pagar apenas metade do valor do semestre, então tentei fazer o enem e pegar bolsa do governo, não deu. Sendo assim, eu pagava, um mês sim e o outro não. Depois pra pagar os atrasados eu trancava um semestre e fazia mais um pouco no outro. Isso durou quase dois anos e eu parei, tinha que reorganizar minha vida. Fiquei um ano sem estudar e tentei mais uma vez o enem, dessa vez consegui a bolsa, ainda teria que pagar transporte e materiais, mas já era uma grande ajuda e desistir da minha sonhada profissão não era opção. A faculdade não foi fácil, pelo menos pra mim não, e perto do final eu pensei em desistir, pelo menos do diploma, mas tentei tudo que eu pude e deu tudo certo, depois de 8 anos entre idas e vindas, passagem por duas universidades diferentes, eu me formei Bacharela em Moda.

Como todo mundo sabe, fazer uma faculdade não resolve nada e pra mim não foi diferente. Ainda antes de me formar, eu vinha testando o tal projeto de ter o meu negócio e fazer tudo diferente de todo mundo, não é que eu quisesse ser rebelde, mas eu sempre soube que eu não queria ser mais uma no mercado, não queria fazer o que todo mundo fazia, então comecei a pensar o que eu queria ser e fazer. Entendi que eu queria que meu produto fosse especial pras pessoas, que fizesse alguma diferença na vida de quem comprasse, minha primeira ideia foi fazer roupas exclusivas, nenhum modelo igual ao outro e assim eu comecei, fiz alguns eventos, divulguei na internet, vendia uma coisa aqui, outra ali, mas sentia que ainda não estava pronta. Não sabia se era eu que não estava pronta, se era a ideia, hoje vejo que era os dois. Comecei a ver que a exclusividade podia ser uma ideia frustrada, pelo menos pra mim e quem comprava de mim, muitas vezes a peça não era na cor ou tamanho desejado, então eu tinha que ir além. Foram muitos nomes e ideias, momentos de mão na massa e de me sentir sem vontade. Mas volta e meia eu estava tentando, estudando, pesquisando, testando, planejando, a inércia na verdade não combina muito comigo, já impulsividade é quase como uma parte do corpo. Fiz curso de costura e italiano além do que era obrigatório na faculdade e iniciei uma segunda graduação, fiz três semestres de administração, talvez um dia termine, mas não era o momento ainda.

São 13 anos desde que entrei na faculdade pela primeira vez, 8 anos desde que fiz minha primeira tentativa de negócio, 4 anos e meio desde formada. Quase terminando minha pós, voltada para o comportamento das pessoas, acho que agora sei que linha seguir. Não vou dizer que estou pronta ou que a ideia esteja, talvez nós e nossos projetos sejamos eternas construções, mas agora me sinto pronta para persistir, porque eu encontrei meus propósitos, tudo que testei e vivi se encaixou de alguma forma. Acho que é isso que define o sucesso de alguém, propósito, e isso vale para a vida profissional ou qualquer coisa. Porque sucesso, pra mim, é realização pessoal, é ser relevante na vida de quem se encontra, dinheiro é uma consequência.

Meu propósito é esse ser relevante, fazer a diferença, mesmo que mínima, mas que exista. Quero que meu trabalho respeite ao máximo o planeta onde vivemos e leve coisas boas para as pessoas, que se sintam acolhidas e não obrigadas a caber nos padrões de uma indústria e sociedade que nos enxerga como números. Quero que os tecidos, modelagens e propostas sejam pensados com essas considerações. Que a velocidade dos lançamentos, sejam naturais e não uma necessidade a cada estação, fazendo com que as pessoas comprem coisas que nem lhes fazem sentido.

Finalizando, deixo o convite para me acompanharem aqui no blog, e nas redes sociais, nos perfis que vocês acessar nos links bem acima dessa página. Assim estarão acompanhando todos os meus projetos, curso, marca e etc. Sugestões serão sempre bem vindas!

E faço aqui também um pedido, corram atrás dos seus propósitos, trabalhem para fazer a diferença, além de pagar os boletos, precisamos todos disso.

Publicado por florencerocha

Sou formada em Moda, pela Universidade Feevale, de Novo Hamburgo - RS e pós graduanda em Psicologia, Moda e Comportamento do Consumidor pela Uniara - Universidade de Araraquara - SP . Sou apaixonada por escrever e questionar as coisas!

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